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11/03/2010


o fim de uma revolução

Passou muito tempo desde que eu publiquei meu último texto aqui. O blog ficou todo desconfigurado uma vez que as imagens do template foram perdidas onde estava hospedadas, por isso tive que usar um desses modelos prontos horrendos da uol. :(


Se alguém tiver interesse/disponibilidade de fazer ou me ensinar a fazer um eu agradeço :)


Hoje volto aqui com uma consciência e ótica muito diferente, tenho dificuldade de me reconhecer em muitos desses textos. Me encontro em um nova realidade, diferente dessa em que me expressei por todos esses anos registrados aqui. Sinto-me nostálgico e fascinado pelas forças transformadoras do tempo sobre nós.


Um breve update da minha vida, estou no meu caminho para ser um artista visual. Dedico meu tempo para construir imagens que refletem meus pensamentos e estado de espírito. Estou usando meu fotolog como um diário, um memoir visual. Foi uma grande mudança pra mim direcionar meus esforços para um meio quase divergente do escrito que é o visual, uma mudança na forma de pensar inclusive. Contudo, não parei de escrever, e de vez em quando ainda publico coisas no meu recanto.


De resto, o Filósofa ainda está caminhando, e estou investindo cada vez mais do meu tempo nele ultimamente. Vivo uma vida confortável de estudante internacional nos Estados Unidos, estudando Audiovisual e Fotografia no Ringling College.


Deixarei esse blog aqui pelo tempo que eu poder mantê-lo (na verdade ele sempre esteve registrado na conta da minha mãe), quero preservar as muitas lembranças e pensamentos descritos por cada uma dessas entradas, bem como cada um dos comentários deixados pelos meus amigos, muitos dos quais até hoje permanecem meus maiores companheiros de vida.




declaro este o fim de um outro começo de existência para mim 

Escrito por Ted às 19h55
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20/06/2008


Comunicado ao Leitor

Caso você comente em algum texto mais antigo,
que não esteja nessa página, favor avisar neste post.



Se houver alguma dúvida, crítica ou sugestão à respeito dos textos abaixo, sinta-se a vontade a comunicá-la ao e-mail:

ted.weber@yahoo.com.br

 

 

"Meus pensamentos são como florestas
mortas submersas num lago negro cristalino,
sob um densa névoa prateada,
colorida artificialmente pela sociedade...
"

 

Seja Bem-Vindo(a)

"Qual o propósito de uma porta quando se encontra aberta?
".

Ted Weber Gola

 

 

 

Escrito por Ted às 22h28
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O Autor


 


 Sou Ted Weber Gola, tenho 18 anos, sou um estudante internacional, atualmente cursando o Bacharelado Internacional em Hong Kong, me graduando em História e Artes Visuais. Trabalho com comunicação visual e sou interessado em artes dum modo geral. Gosto de escrever, compor trabalhos artísticos em pintura e digitais. Trato minhas obras em temas muito diversos, desde sociologia, educação, política, antropologia, história e afins, a simbolismo, mitologia e esoterismo. Gosto sempre de discussões, e atualmente sou lider de um grupo de estudos chamado Projeto Filósofa, no qual tento orientar um grupo de pré-/universitários a discussões sobre como melhorar a educação em nosso país, como solução que eu acredite ser a única viável para nossa atual sociedade. Estamos atualmente trabalhando em idéias de reformulação da grade curricular do ensino pré-primário ao ensino médio, visando apresentar ao MEC uma proposta eficiente e viável para a melhoria da educação pública nacional.

Por favor, se quiser expor críticas e/ou sugestões em relação aos meus textos, fique a vontade, terei o maior prazer em discutir temas abordados em meus textos com você.

Obrigado por visitar meu blog,
Atenciosamente,

 

 

 

Escrito por Ted às 22h26
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Teoria da Educação

Conhecemos colégios e escolas como a forma padrão de educação, a autoridade suprema de aprendizado e compreensão. E junto com isso, um padrão a ser seguido, assuntos mais ou menos importantes ou relevantes para serem ensinados, seguindo sempre uma escala hierárquica de conhecimento. Há um problema considerável nisso. Nossa educação não existe sem esse processo de julgamento de valor de conhecimento.

Todas as escolas portam um sistema burocrático e metodológico de discriminação. Professores e Diretores de todas as escolas do mundo, perdoem minha audácia em culpá-los por isso, vocês são executores de todo esse processo democrático de eficiência educacional.
Quantidade de alunos na escola, para o Estado representa o nível de educação sendo adquirido pela população aos moldes governamental, tal este Estado que faz uso de profissionais da educação como meras figuras instrutoras de seus padrões ideológicos e morais.

Eu, como cidadão não posso ser bem visto pela sociedade se não for portador de "educação básica". Por que todo o conhecimento do mundo considerado pela humanidade precisa ser discriminado e classificado por importância num curso de educação básica ou superior? Eu tenho meus próprios julgamentos relacionados à todas as partes do conhecimento, e sinto atestar que eles apresentam conflito em relação ao padrão geral. Por que eu tenho que me adequar à qualquer "formato" ou "molde" social? Conhecimentos que ganho nos últimos anos do meu ensino médio eu poderia desenvolver por diferente raciocínio no meu ensino primário. Não gosto de seguir com essa terrível cabeça dura dos educadores, a maioria forçados a limitarem-se à uma grade ridícula do que deve ser ensinado.

O conhecimento é esbanjado por livros e websites de todo o mundo, esperando para ser assimilado por alguém! Por que temos que estudar o processo fotossintetizante das plantas sem antes saber como se planta uma árvore? Calorimetria ou isotopia sem antes saber como preparar um delicioso pão? A análise morfológica de uma oração sem antes perceber a beleza de uma poesia? As causas da Segunda Guerra Mundial sem antes entender o porquê de uma votação eleitoral?

Por que todo o processo de educação precisa estar ligado ao de desenvolvimento? E se desenvolvimento pela educação existe, quem disse que queremos ser instrumentos desse processo?

Queremos mesmo desenvolvimento? Que tal qualidade de vida?

Pra que investir tanto em mercados do exterior com tanto para ser aprimorado em nossa vizinhança?

Escrito por Ted às 22h02
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05/05/2007


 Vida de ser quem sou
Morte de estar como estou
Liberdade, de ir como vou

Quem quer,
Quem almeja por crer,
Que veja, que sinta,
Que vida não há de ser.

A juventude põe-se pouco a pouco a ser destituída de uma existência em nossas vidas.

Vejo isso como verdadeiro refém de minha sociedade, cobaia da nação, escravo da humanidade. O amadurecimento precoce, a carga de responsabilidades, o mundo virtuoso das obrigações, estão despencando sobre nossas cabeças antes da hora. Eu, como o jovem-estudante, vejo isso com clareza. O anseio pelo brilho da nação, a sede pelo pseudoprogresso da humanidade, enfim, a vida e a morte da felicidade acontecem em seu ciclo agora de modo acelerado por conta disso. Dá mesmo vontade de clamar os sábios versos de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, em Felicidade, que

Tristeza não tem fim,
Felicidade sim

A Felicidade é como a pluma que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve, mas tem a vida breve, precisa que haja vente sem parar
[...]
A Felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor,
Brilha tranqüila, depois de leve oscila, e cai como uma lágrima de amor.

Ando mesmo cansado de estar perdido, de não saber o que fazer com tantas coisas ao meu redor.



http://www.existencialismo.org.br/

Escrito por Ted às 09h28
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19/01/2007


Sacristia

Reduza teus prazeres a restrições
Ajoelha-te perante o sofrimento
Priva-te de todas boas emoções
Omita tuas rusgas enquanto pensamento

Vá, viva na sociedade
Exista sem vil razão
Encontra teu destino
Encontra-se na ilusão

Tanto no monastério
Tanto no sacristão
Devota-se ao mistério
Pois logra teu perdão

Trilha descalço o caminho,
A tortura, urtiga e arruda
Todas ervas de teu vinho
Só não conta com minha ajuda

Tu, no caminho sob signo da cruz,
Estais de costas à mim, na luz.
 
 
 
Ted Weber

Escrito por Ted às 07h59
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02/12/2006


Fasci Solari


[. Consegue imaginar uma versão 'clean' da Divina Comédia? Eis pois. .]


Não lembro quando, não entendo porque estive aqui, que parte de minha vida me trouxe às trevas?
Ainda gosto de nela viver, porém isso não é bom, na verdade, este é meu pior vício, e saber disso, minha maior virtude.
Não existe tortura maior que a de começar, mas acabei por acostumar-me a nas Trevas viver, é muito mais cômodo prosseguir ou parar do que voltar atrás. Não é certo, mais é bom.
Lembro-me o que passei por aqui, foi bom enquanto não mudou, porém logo me vi perdido, sedento e esfomeado, minha vida estava matando-me, e o que me confortava era saber que minha morte estava próxima para me libertar.

Escrito por Ted às 08h45
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Estava numa floresta escura, fria e densa, o chão composto pelas raízes negras, profundamente fincadas no solo, que era totalmente encoberto por essas raízes, já que havia camadas e camadas de raízes, uma fincada à outra, em nós e entremeios, estreitos e abruptos. O céu era completamente oculto pelas folhas largas, finas, delicadamente metálicas, brilhantes e pontudas, enraizadas em galhos aparentemente robustos e nodosos, mas eram na verdade completamente ocos, como os troncos, de madeira negra, mas em menor escala. Nem uma flor, nem uma erva daninha, nem um musgo, nem uma cor, nem uma alegria, eu estava só e solitário, sem vitualhas nem pertences, caminhando por dias, eternidades, sem ver nada além de troncos e folhas absolutamente iguais, um lugar sem água, sem ar, sem vida, apenas frio e trevas... Frio e trevas... Frio e trevas... Folhas metálicas, delicadas e estruturas ainda mais... Sem ventos, sem ares de transformação, tudo imóvel, debilmente fixo, sem movimento, sem razão...
Os tempos passaram e eu estava caminhando cada vez mais lentamente, estava faminto, com sede... Sede... Minhas forças... Esgotando-se... Desvanecendo-se...
Foi quase desistindo que finalmente cheguei a um portão frágil, delicado, ornado em complexos arabescos. Ele separava a floresta do que parecia ser um mar de areia negra, árida e gélida. Atravessei o portão e vi a mais bela paisagem de minha vida, aquele lindo solo negro arenoso, brilhante, uniforme, leve, esvoaçante, parado em suas dunas, sorrindo para mim, num horizonte sem fim. O céu agora era visível, de nuvens plúmbeas, baixas, desfiadas, que de tão aglomeradas era impossível ver através delas... Será que ainda havia o azul por trás? Eu não estava feliz em ver a paisagem, estava cansado demais para isso. Caí no chão daquele lugar e chorei por ali estar.
Precisava dormir, precisava descansar, precisava viver...
Permaneci deitado por eternidades, mas não me conseguia pregar os olhos, eles estariam vidrados se ainda existissem, não recuperava minhas forças, não me animava mais, e o medo preenchia o vazio de meus pensamentos. Surdo por não ter nada à ouvir, mas não cego, minha alma nunca deixou de ver tudo perfeitamente.
Depois de eternidades precedidas, sem motivos nem explicações, me ergui, e para meu desânimo maior, nada, nada havia mudado, tudo estava exatamente igual, mas prossegui, sem razão para ir ou ficar, prossegui, pois ainda tinha uma vaga esperança de sair de lá, de me ver feliz novamente. Atrás de mim a floresta, soberba em sua altura infinita e em sua consistência imponente, contida pela cerca e o portal de ferro, e a diante todo aquele deserto, belo, embora desprovido de vida, cada grão Dalí parecia valioso, pareciam diamantes negros miúdos...
... Passaram-se mais e mais eternidades, mais tempo do que eu podia ser. O tempo passava muito lento, tal como eu vagava, e absolutamente nada havia mudado, a floresta continuava visível, já que era verticalmente infinita, desaparecia entre as nuvens cinzentas inertes no céu, e o deserto o mesmo cheio das dunas de antes...
No mesmo motivo insano de antes, continuei vagando, mesmo sem forças para isso, até que por entre aquelas dunas eu pude avistar lá longe algo inédito. O horizonte, até agora um fio negro parecia estar sendo sobreposto por um fino fio vermelho, em todo horizonte. Aquele traço me trouxe o primeiro sentimento desde que eu apareci naquele lugar, parecia que até então meus sentimentos estavam dormentes, e o primeiro desperto foi o sentimento de medo, mas não um medo qualquer, um temor, de ânsia, de terror, parecia que eu tinha agora um destino forçado, ou não, mas tinha, afinal não tinha outra saída, tudo que eu podia ter visto naquele deserto eu já tinha visto, afinal era tudo igual, ou pelo menos era o que eu pensava...
Pouco a pouco eu pude avistar melhor o meu destino, enxergar mais nitidamente o vermelho morto ao horizonte, e sentir cada vez mais forte o medo dentro de mim... Vaguei, vaguei, vaguei, nem sei quanto, e muito menos por quanto tempo, pois não era possível ser ter a noção do tempo, já que os céus estavam sempre na mesma tonalidade de cinza escuro, as nuvens absolutamente paradas, fantasmagóricas, observando-me de cima, e os grãos da areia negra reluziam sempre distantes um dos outros da mesma forma, tal como o silêncio que nunca era quebrado por nada...

Escrito por Ted às 08h43
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Minha frívola caminhada perdurou até que sem perceber eu cheguei ao meu destino, ao que antes não passava de uma nesga vermelha morta ao horizonte, agora de muito mais perto eu começava a ver o brilho que o vermelho emitia, em sua superfície lisa e uniforme, estendendo-se por uma imensidão sem fim... O medo até então não parava de crescer, mas agora uma sensação de horror dominava todo meu espírito, como sedas negras que grudavam em mim umas sobre as outras, em muitas camadas, adentrando em meu coração e tornando-me gélido como a areia em que pisava. Quando cheguei mais perto do vermelho um aroma invadiu meu olfato, um cheiro de ferro, ferrugem, com sabor distante acre, muito peculiar, demorou um pouco até eu identificar que o vermelho morto era na verdade uma laguna imensa de sangue. Meu medo, agora justificado, crescia mais rapidamente, eu estava por fim em pânico, em lugar nenhum, sozinho, com frio, medo, fome e sede.

Fechei meus olhos, fechei minha alma.

Quisera Deus que eu estivesse ali? Por que infernos eu fui parar ali, diante de um mar de sangue?! Será que realmente merecia passar por tantos castigos?

Sem respostas para essas perguntas, um sentimento de ódio por injustiça mesclou-se ao horror que eu estava sentindo antes, e se condensaram em uma lágrima que escorreu por instantes por meu rosto até ser congelada e despedaçada em pequenos cristais pelo frio de fora.

Abri meus olhos, abri minha alma.

Vi-me diante do lago de sangue, que era separado do deserto por uma borda metálica prateada, ornada em chanfros e entalhes de grandes arabescos e floreios, que circundava todo o lago, como se este estivesse num prato de gala.
Mesmo com todo aquele medo que estava sentindo, sentia-me atraído pelo lago, tinha alguma coisa nele, se não ele mesmo, que me chamava. Avancei dois passos, a extensão da borda, e toquei a ponta de meu dedão na superfície. Estava gelada como tudo ali. O toque de meu dedão provocou uma onda pequenina que deslizou para além de onde eu podia ver. Tirei o dedão e repousei-o na borda, marcando-a com o sangue do lago. Permaneci ali, parado, contemplando a vista, refletindo tudo o que havia feito até então. E num impulso irracional, decidi entrar no lago. Mergulhei meu dedão, os outros dedos, o pé até o tornozelo, os calcanhares, até a metade da canela, quando meu dedão tocou o que parecia ser o fundo. Era tenro, mole, viscoso. Coloquei todo o meu pé no fundo, e percebi uma textura um tanto rançosa, como... Carne...

Escrito por Ted às 08h43
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... Medo...

Eu já estava tão frio como tudo ali, mas passei a tornar-me mais gélido que tudo ali, como se eu emanasse frio para o ambiente. Perdi o tato. Mergulhei o outro pé no lago. O chão era forrado por carne: músculos e órgãos como corações e pulmões. Eu estava pisando naquilo. Cada movimento que eu executava criava uma série de vilosidades, ondinhas que se propagavam para o além e não voltavam. Comecei a caminhar pelo lago, projetando inúmeras ondinhas, que iam todas para o além e não voltavam, mas havia também ondas que iam para trás de mim, para a borda, e delas rebatiam e iam também para o além. Continuei andando, como sem rumo, só em diante... Não entendo o porquê, mas eu estava como se disposto a fazer este percurso aparentemente sem rumo, talvez este fato fosse devido à quebra da monotonia anterior, as ondas geradas por mim eram desiguais, com intensidades diferentes, e iam embora diferente uma das outras. Fui andando, e andando sobre o chão mole, projetando mais e mais ondinhas por todo o lago...
Aos pouco fui reparando o nível do lago estava aumentando, o sangue, que antes batia na metade de minhas canelas, agora já estavam quase em meus joelhos... Continuei andando, mas o sangue subindo estava me deixando com mais medo, estava começando a ter um segundo acesso de pânico.

Horrível.

Comecei a andar mais rapidamente. Fosse o que fosse eu jamais poderia evitar o que sucedesse de agora em diante, continuei andando rapidamente, e o nível do sangue continuava aumentando, já atingiam minhas coxas, e por isso aumentei a intensidade das passadas. O ritmo que eu seguia projetava ondas maiores, e fazia com que o sangue respingasse um pouco em mim, o que me deixava mais e mais aflito... O sangue continuava tão frio como antes, não sentia mais minhas pernas, elas depois de alguns momentos totalmente submersas simplesmente não me obedeciam mais.
O sangue, agora em minha cintura parou devido à interrupção das passadas, mas como por inércia, meus pés passaram a deslizar sobre a carne no fundo do lago por alguns instantes, e eu agora passei a remar com meus braços para adiante. Sem propósito, sem razão definida, agia mecanicamente... Na verdade eu estava sim sendo atraído para além do lago, algo me atraia como se fosse meu oposto magnético... Minhas mãos, mais e mais geladas, começaram a parar os impulsos assim que o nível do sangue subiu até o meu peito, até a metade do braço...

Em pânico.

Estava ali, congelado no meio de um lago de sangue sobre músculos e órgãos.

Fechei meus olhos, fechei minha alma.

Escrito por Ted às 08h42
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Comecei a estremecer por medo, por frio, por vida.
Em espasmos comecei a ouvir um som. O som de água caindo, em enxurradas, um som que diminuía a intensidade aos poucos, que passou a um gotejar constante e intenso, e depois à um gotejar constante, mas menos intenso, até um simples gotejar.

Ainda em pânico e aos espasmos abri os olhos, abri minha alma.

Com mais medo não podia estar, então não me assustei ao ver que uma imensa ponte acabara de erguer-se à minha frente. Estava pingando do sangue de onde surgira. Uma ponte larga de madeira marrom negra, com corrimãos de ferro em floreios e arabescos tão complexos como o do portão da floresta e o da borda do lago. Erguia-se suspensa no ar surrealmente, sem nenhum apoio, e vinha aos meus pés por degraus de madeira em detalhes de ferro.

Perplexo com tudo, mas com uma imensa vontade de sair do lago, minhas pernas e meus braços avançaram para os degraus, e subi os degraus um a um, lentamente, enquanto meu corpo reanimava-se. Subi até o topo da ponte, vendo o quão ela se estendia para o além, desaparecendo no horizonte. Fiquei ali em cima parado. O sangue ainda escorria por mim, e pingava gota a gota na escada.

Observando o horizonte, notei uma mancha ao mais longínquo horizonte. Uma mancha negra, que aumentava suas dimensões rapidamente, e agora não era só uma, em vários pontos do lago surgiram manchas como aquelas, e elas cresciam e espalhavam-se até onde eu estava, e quando atingiam os degraus da escada, espalhavam-se também pelo sangue que escorria pela ponte, tornando todo o sangue daquela ponte em pura Treva. Tudo voltara ao monocromático estado anterior. Trevas, Trevas e mais Trevas.

Olhei para os Céus. As nuvens, que antes estavam inertes, agora se movimentavam intensamente para o mesmo sentido do destino da ponte. Num movimento rápido, e cada vez mais acelerado, agora começando a provocar um vento forte, junto com as nuvens, forte e ágil.

Continuei paralisado por alguns momentos, sentindo o vento em mim, mostrando-me um caminho e empurrando-me a ele.
Senti meu estômago embrulhar de medo e ansiedade.
Mesmo estando completamente exausto, faminto e sedento por tudo, ainda estava ansioso por algo que não fazia idéia do que podia ser...

Escrito por Ted às 08h41
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Dei meu primeiro passo, e logo em seguida o segundo, e assim sucessivamente, andando sem nenhum ritmo, sem nenhuma agilidade ou dinamismo, estava simplesmente andando sem razão. Conforme andava eu contemplava bastante os arabescos no corrimão da ponte, que eram muito e muito bonitos.
O vento impulsionava-me sutilmente o que tornava meu caminho um pouco mais fácil. Continuava an-andar em-andar in-andar on-andar um-andar... Já havia percorrido um grande percurso, agora olhando pela primeira vez para trás, já nem mesmo via o início da ponte, nem o início nem o fim da ponte, como se ela começasse e terminasse no nada. Já não via mais a floresta em outro lugar que não fosse dentro de mim, vagando em lembranças sombrias...

Continuei a andar sem fazer idéia do porquê.
Continuei a viver sem condições de o fazer.
Continuei a existir sem ao menos querer.

Aqui, ali e acolá da ponte, tudo era igual no lago e nos céus, apenas uma coisa era incansavelmente diferente a cada trecho do percurso: os arabescos e floreios do corrimão da ponte, mas sempre mantendo a essência bela e complexa de sempre...

Foi sem querer ou poder que percebi nos confins do horizonte uma mancha branca bem adiante no final da ponte, uma ilha branca no lago negro. A ansiedade, até agora despercebida por sua constância, agora passei a reparar por ela ter crescido significantemente, como num solavanco, eu estava realmente ansioso pelo final da ponte. Mesmo tão ansioso, não consegui alterar o ritmo do andar pela ponte, sem uma faísca de poder fazê-lo, o que me fez perceber a ansiedade crescendo em mim mais e mais, quase se igualando ao medo que sentia até então. Até que então se igualaram medo e ansiedade em mim, e a partir daí os dois passaram a crescerem juntinhos, agora num ritmo mais sutil, corroendo-me lentamente... Chegando mais e mais próximo da ilha, fui com o olhar fixo nesta notando pouco a pouco a textura do solo da ilha, que era desigual, em tracinhos brancos aglomerados, que com o aproximar fui notando serem o que eu temia serem: ossos. Ossos.
O medo e a ansiedade não pararam de crescer. Talvez tenha sido este crescimento que me fez prosseguir sem parar.
Muito próximo da ilha, a ponte terminara, realmente no nada, suspensa no ar, à três metros da superfície do lago. Parei ali na ponta da ponte, ainda um tanto distante da ilha. Agora analisava melhor a ilha. Não era muito grande, por isso conseguia visualizá-la inteiramente. Era completamente cercada pelo lago negro, e parecia não haver mais absolutamente nada além dela. Era vazia em toda sua extensão, apenas ossos e... havia... uma coisa...
Havia uma coisa no centro da ilha... Um objeto meio retangular e chato, uma caixa negra, no meio da ilha...
Quando consegui ver essa caixa, a ansiedade e o medo dentro de mim deram um salto, e agora pareciam crescer tão rapidamente como as batidas do meu coração ausente.

Escrito por Ted às 08h41
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A ponte caiu.
Caiu sem dar satisfações.
Simplesmente caiu.
Eu caí com a ponte no lago.

Ao primeiro instante, quando meus pés tocaram a superfície do lago, parecia estar muito mais gelado que antes, quando eu estava nele, não estava mais frio, estava gelado mesmo.
A ponte afundou. O lago agora estava muito profundo, tanto, que mesmo eu tendo submergido alguns metros, eu não alcancei o chão, e na verdade estava muito longe disso...
Fiquei ali dentro lago, momentaneamente sem vontade de subir, querendo flutuar mais tempo nas trevas do lago, mas uma força me elevou à superfície. Parado à superfície olhei para trás e nada havia. Olhei para os lados e nada havia.
Nada: Trevas. Só havia mesmo uma coisa à minha frente: a ilha dos ossos.

A ansiedade e o medo levaram-me em direção à ilha, até que o chão, prolongamento da ilha, começou a tocar meus pés. Tinha muitas pontas, e machucava um pouco meus pés por ser um solo tão irregular, mas continuei indo até chegar à ilha. Finalmente de pé na ilha, pingando Trevas estava eu, com o medo e a ansiedade à flor da pele. Fui diretamente ao sentido da caixa negra, que passou a revelar suas verdadeiras dimensões e detalhes com a proximidade.

Escrito por Ted às 08h40
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Era um caixão mortuário.

Mesmo com a distância razoável, aquele ataúde me despertou uma atração inexplicável que mesmo sem forças, me fez correr até ele. Em ricos detalhes arabescos e florais metálicos à borda do tampo de mogno, o ataúde era em suma belíssimo, de natureza delicada e suntuosa.
Meu medo e ansiedade enfim materializaram-se num impulso que me fez abrir o tampo e revelar seu conteúdo.
E isso foi definitivamente o que mais marcou o que eu chamava de vida. De um susto tão bruto, um impacto que quase me faz desmaiar: Eu. Eu estava dentro do caixão. Meu corpo estava ali: arranhado, sangrento, pálido, frio e inteiramente morto.

Mas aquilo não podia ser verdade, aquilo não tinha fundamento, eu não podia estar morto observando o meu próprio corpo morto.
Ergui e olhei para minhas mãos, que estavam agora finalmente desaparecendo, forçando meu olhar a chocar-se com a mesma imagem que me horrorizou: eu morto. Meus braços, minhas pernas, estavam sumindo, meu corpo inteiro, esvaindo-se com o medo e a ansiedade. Então, com o que restou de minha energia, gritei, o que quebrou o silêncio em toda a vastidão daquele universo onde as Trevas reinavam.
O que sucedeu meu grito foi um silêncio mortal, absoluto e torturante.
As nuvens pararam de súbito com sua corrida ao nada. Toda a luz que me permitia ver aquelas coisas sumiu.

Escrito por Ted às 08h40
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O chão irregular de ossos aos meus pés inexistentes desapareceu.
Eu não sentia mais nada.
Estava enfim num vácuo intenso, e aquilo era uma verdadeira tortura. A morte não veio me salvar. Ninguém veio.

Nada, nada existia ali, nada preenchia aquele lugar.
Nada, nada existe aqui, nada preenche este lugar.

Escuro. Silêncio. Frio. Vácuo.

Não sinto, não ouço, não vejo.

Não posso andar, não posso cair.

Estou apenas eternamente preso em meus pensamentos.


Ted Weber

Escrito por Ted às 08h39
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21/09/2006


Escrito por Ted às 18h21
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08/07/2006


Sr. Aeon Sapiens

Sr. Sapiens acordou, mas seus olhos não abriu.
Ouviu zunidos, muitos zunidos, vindos de toda parte.
Tinha medo, muito medo de coisas a zunir...
Sapiens sabia que não podia ficar ali para sempre,
Sapiens sabia que alguma hora teria de levantar.

Momentos passados, Sr. Sapiens os olhos abriu
E tornou-se gélido com o que viu.
A primeira coisa a ver foi seu lustre.
O globo de cristal ornado agora tinha um rosto!
Olhinhos pretos redondos e brilhosos
Olhavam para ele, muito curiosos...
Uma boca miúda, um traço preto,
Que a cada momento dizia “bzz-bzz”.

Depois se virou para seu criado-mudo,
Que para sua surpresa também tinha um rosto!
Levantava as sobrancelhas e sorria maliciosamente,
Sibilava “bzzzzzz” repentinamente.
Sobre o criado-mudo tinha um abajour,
Sr. Sapiens com medo, nele não prestou atenção,
Sabia que de alguma forma o abajour diria “bzz” a ele,
E rapidamente virou para o outro lado.

Não reparou o outro criado-mudo, viu algo muito maior,
Sua cômoda agora, com seus dois olhos de puxador,
Boca gigante de gaveta, dizia um longo e grave “bzzzzz” a ele.

Aquela bzzarra situação lhe gelava o coração.
Levantou depressa e catou o roupão,
Correu ao banheiro de sua suíte para lavar o rosto,
Chegando lá trancou a porta bem ligeiro
Olhou à sua volta e ficou ainda mais surpreso,
De tanto medo que ficou, virou um grande e gelado
 

Cubo de gelo.

 

 Ted Weber Gola

Escrito por Ted às 20h35
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Escrito por Ted às 11h15
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10/06/2006


[. Surtos psicóticos afinal servem para alguma coisa .]


Vida

Depois de tanto tempo de auto-confiança, depois de tanto tempo se conformando com simples não-respostas, depois de tanta fé, num estranho dia deixo de esconder toda minha descrença.

Vivo. Vivo?

Todas as certezas desfeitas com uma única dúvida: Somos realmente profundos? Ou simplesmente somos aquilo que queremos ser? Se sim, então, o que realmente somos?

Enfim, de um instante para o outro percebo que nada faz sentido. De onde vim, para onde vou? Pra quê existo? Se estou aqui para evoluir, para quê tenho que evoluir? Se estou aqui para ser feliz, pra que tanto sofrimento para só no final ter a felicidade? Pra quê eu vou usar toda a sabedoria acumulada até aqui?

Nada faz sentido: nem a vida, e muito menos a morte.

Por que todas as pessoas, salvas exceções, escondem seus sofrimentos, fingem que são felizes ao responder à frase “Como vai?” ou “Tudo bem?”  com um “Tudo ótimo, e você”? Pra quê esconder segredos, manter reputações, se tudo acaba e todos morrem no final? Por que a massacradora massa populacional simplesmente se conforma com toda a sua existência existindo só para favorecer uma insignificância quantidade de pessoas?

Será que simplesmente nascemos, crescemos, nos reproduzimos e morremos? Qual o sentido disso? Pra quê a Natureza tem que evoluir tanto? A existência dela é tão frágil, que qualquer cometa que colida com a terra pode acabar com mais da metade dela, e ela sempre continua, nunca para de existir. Percebo que a Natureza é uma coisa debilmente teimosa.

Religião – Agora percebo que todas as religiões existem só para dar uma base imaginária para a existência do ser humano, algo que tenta conformá-los, é só isso.

Deus – Sim, Deus existe, mas nunca foi nada do que alguém disse. Nem o que eu, e muito menos aquilo que a Igreja ou qualquer outra “entidade” religiosa disse. Deus é simplesmente a força que garante o efeito de cada causa. Só. É comprovada aquela teoria do Big-Bang. É comprovada aquela teoria da evolução do homem. Não há mais o porquê de dar credibilidade ao que a Igreja diz: “Deus criou tudo”. Então, por que a tanta gente acredita no que a Igreja diz? Ignoram o fato do contestamento desta pra quê?  Só para se sentirem mais seguras? Pra que ignorar a ciência?

Por que todos evitam pensar nisso, com o pretexto de que irão ficar loucas? Qual o problema de ser encarado como louco pela sociedade? O que a sociedade tem a ver com quem você é? Se você não se livra dela, você simplesmente se une a ela. Se unir à sociedade, adquirir forçadamente características semelhantes à de outros é uma coisa contra as leis da Natureza, que nunca criou uma folha igual à outra, mesmo já tendo existido zilhões destas, tentar ser parecido com o modelo imposto pela sociedade é simplesmente ridículo, é negar sua existência individual!

Nada mais faz sentido. Nada.

Ted Weber Gola

 

Escrito por Ted às 08h40
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07/06/2006


“A regressão do ser humano faz parte do progresso da Natureza”.

Neste blog, lembro-me perfeitamente de ter publicado um texto com o título “A evolução tem diversos rumos”. Mas com este texto que publicarei agora, irei me contradizer. É assim que deve funcionar a cabeça de qualquer pessoa, não num ciclo, mas assim como tudo que progride ou regride, como uma espiral...

Sempre fui a favor da idéia espírita (kadercista) de que toda escala evolutiva de um espírito é progressiva, mas dias atrás, convenci a mim mesmo de que os seres humanos não estão progredindo. Isso se torna óbvio, quando se olha nossa sociedade com os olhos de um estranho a esta: desigualdade social, discriminação racial, violência, corrupção, ganância, falsidade, poluição, aquecimento global, falta de saneamento básico, miséria, injustiças, são coisas cotidianas. O homem, salvo exceções, tem se tornado cada vez mais egoísta, não se importando com o próximo, sem ver que isso prejudica diretamente ele. Não há mais como negar que o ser humano regrediu de tempos pra cá, mesmo considerando o número de descobertas tecnológicas, desenvolvimento urbano e em todas as áreas do conhecimento, que aliás, todas essas coisas foram os principais motivos causadores dos problemas que enfrentamos hoje, o ser humano caminha sim, para o seu fim.

 Podendo assim tirar de conclusão de que a regra de escalas evolutivas só é progressiva quando pertence a uma espiral perfeita, ou seja, que obedece regras fixas, como é o caso da Natureza. A Natureza é perfeita, está num perpétuo estado de evolução progressiva. O surgimento do homem nesta foi algo que pode ser comparado a um obstáculo para esta, algo que (impossivelmente) poderia acabar com esta, como inclusive tem começado este processo de destruição, portanto, a Natureza, com suas forças ocultas, têm empurrado graciosamente o ser humano para seu fim, com a homossexualidade, violência, desastres ecológicos, entre outras coisas, para que ela possa voltar à percorrer o caminho perpétuo de sua espiral evolutiva...

Ted Weber Gola

 

Escrito por Ted às 19h37
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